quarta-feira, 1 de março de 2017

II Artigo - De Barra do Açu a Barra do Furado

A costa de Campos dos Goytacazes 
Por Arthur Soffiati

Nunca me canso de invocar o testemunho de José Saturnino da Costa Pereira em defesa do que chamo Ecorregião de São Thomé. Ele nasceu na Colônia do Sacramento, hoje Uruguai, em 22 de novembro de 1771, e morreu no Rio de Janeiro, em 9 de janeiro de 1852, com 80 anos. As pessoas morriam cedo naquele tempo. Na sua longa vida, ele foi engenheiro, militar e político. Seu irmão, Hipólito José da Costa, tornou-se patrono da imprensa brasileira. Depois de estudar na Universidade de Coimbra, José Saturnino voltou ao Brasil, onde exerceu o cargo de Presidente da Província de Mato Grosso de 1828 até sua morte, pois o cargo era vitalício.

Ele escreveu vários livros, com destaque para o “Dicionário topográfico do Império do Brasil”, obra hercúlea lançada em 1834. Mas o livro dele pelo qual tenho especial interesse intitula-se “Apontamentos para a formação de um roteiro das costas do Brasil com algumas reflexões sobre o interior das Províncias do litoral e suas produções” (Rio de Janeiro: Tipografia Nacional, 1848). Ao chegar a Macaé, ele observa com acuidade:

"Desde o paralelo das ilhas de Santa Ana até a ponta de Benevente, na Província do Espírito Santo, a praia se afasta consideravelmente da cadeia das montanhas do interior; e deixa um intervalo, que vai, em alguns lugares, até 13 léguas, formando um terreno chato, e muito baixo: este terreno se estende por baixo d'água, e constitui o que os caboteiros chamam de Cabo de S. Thomé."
Retrato de José Saturnino da Costa Pereira
         Melhor que o geólogo canadense Charles Frederick Hartt, ele percebeu que a linha de costa se afasta da montanha entre o rio Macaé e o sul do Espírito Santo Harrt acreditava que a montanha se afastava do mar. Um estudioso brasileiro, assim, passa a ser o patrono da ecorregião de São Thomé, um vasto aterro em forma de arco formado por terrenos não pedregosos de idades distintas, como a Formação Barreiras, com idade entre 25 e 5 milhões de anos, a Planície Aluvial, formada entre 5 e 2 mil anos, e as restingas ou depósitos arenosos, um com 120 mil anos; outro com menos que 2 mil anos.
Ecorregião de São Thomé
Em toda essa costa, o único ponto em que o mar está separado da planície aluvial por um estreito cordão de areia elevado se estende do Cabo de São Thomé ao local hoje conhecido como Barra do Furado (que só passa a existir em 1688). Esse cordão liga as restingas norte, do rio Paraíba do Sul, e a restinga de Jurubatiba. Ele chega a 6 metros de altura em vários pontos. A sua frente, o mar, na cota zero. Atrás dele, a baixa planície aluvial, que, em certos pontos reduz-se a zero de altitude também. Sinal de que, sem esse cordão de areia, o mar poderia invadir a planície. Sinal de que as dunas cumprem um papel significativo para conter o mar, ao contrário do que a maioria da população de Atafona acredita. Esse longo e estreito cordão pode ser comparado a uma duna. Sobre ele, ergueram-se os núcleos do Farol de São Thomé e de Xexé. Entre eles, ainda há uma considerável área não urbanizada com vegetação de restinga. Se o leitor duvida, abra o Google Earth, amplie esse cordão e, com o cursor, meça as altitudes. Concluirá que a parte interna é bem mais baixa que o cordão. A parte externa, representada pelo mar, também é baixa. O cordão é uma barreira para o avanço do mar pelas marés altas, pelas ondar e pelas ressacas.
1- Remanescentes de vegetação de restinga; 2- Manguezal de Barra do Açu;
3- Manguezal da ilha da Carapeba; 4- Campos   herbáceos de planície aluvial.
 Percorra-se também toda a costa entre os rios Macaé e Itapemirim. No sul, logo após a margem esquerda do Macaé, a praia começa a engordar pelo acúmulo de areia, estreitando-se na atual Barra do Furado. A partir do Cabo de São Thomé, outro grande acúmulo de areia, o maior do Estado do Rio de Janeiro, estende-se até Manguinhos, na margem esquerda do Paraíba do Sul. A partir de então, a Formação Barreira confina com o mar, dando origem a paredões argilosos denominados falésias, que se estendem ao rio Itapemirim.   

Continua...


Por: Arthur Soffiati 

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