O Sindipetro-NF realizou, na manhã desta terça-feira, um ato público no heliporto do Farol de São Thomé, em memória dos 25 anos da tragédia da P-36, que vitimou 11 petroleiros. A atividade reuniu trabalhadores da ativa, aposentados, dirigentes sindicais e familiares das vítimas em um momento de forte emoção e reafirmação da luta por segurança no trabalho.
Além das homenagens, o ato contou com uma apresentação teatral que destacou a importância da união dos trabalhadores na defesa da vida, reforçando o papel da organização coletiva, da atuação sindical e da luta por respeito e dignidade humana nas plataformas da Petrobrás e das demais empresas do setor petróleo.
Durante a atividade, familiares das vítimas trouxeram depoimentos marcantes. A viúva de Emanoel Portela Lima, um dos trabalhadores mortos na tragédia, Luzineide Lima, ressaltou a importância de manter viva a memória da tragédia. “A gente vem aqui todo ano para que esse acidente não seja esquecido e para mostrar aos trabalhadores a importância de preservar a vida e denunciar falhas. Não dá para esconder problemas. A vida é o mais importante”, afirmou.
Também familiar de vítima, Wênia Pereira dos Santos, filha de Laerson Antônio dos Santos, destacou o peso emocional do ato, mas reforçou seu papel de conscientização. “É doloroso, é cansativo, mas a gente vem porque ninguém quer ver mais acidentes. Quando as pessoas entendem que isso pode acontecer com qualquer família, elas passam a se mobilizar. Nosso objetivo é ajudar a mudar essa realidade”, disse.
O trabalho do movimento sindical em lembrar, todos os anos, o acidente da P-36 foi destacado por Rita de Cássia Lopes de Araújo, viúva de Mário Sérgio Matheus, outro petroleiro que perdeu a vida na plataforma. “Queria muito agradecer ao sindicato e aos mais envolvidos por nunca deixarem cair em esquecimento essa data tão trágica em nossas vidas. Foi tudo muito bem elaborado”, afirmou.
Aprendizado e luta
O coordenador-geral do sindicato, Sérgio Borges, enfatizou que a memória da tragédia deve servir como aprendizado e instrumento de luta. “A gente não quer lembrar só da tristeza, mas transformar essa memória em ação. Quando acontece um acidente, quem está lá é o trabalhador. Por isso, é na união entre nós que está a nossa força”, destacou.
Borges também alertou para a necessidade permanente de vigilância nas condições de trabalho. “Quando o sindicato denuncia falhas ou cobra melhores condições, é para evitar que tragédias como essa se repitam. Não dá para esperar que as empresas façam isso sozinhas. Essa luta é dos trabalhadores”, afirmou.
O diretor do sindicato, Tezeu Bezerra, reforçou o caráter simbólico do ato. “É um dia de emoção e de indignação. Quando falamos de segurança, é porque queremos que todo trabalhador embarque e volte para casa com saúde. Sem luta, não há conquista”, disse.
Sindipetro-NF


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