sábado, 10 de dezembro de 2016

Centenas de peixes encontrados mortos na lagoa de Iquipari

Fotos: Renato Timotheo

Centenas de tilápias e acarás foram encontrados mortos na lagoa de Iquipari, no município de São João da Barra, na manhã de quarta-feira (7). Segundo especialistas, dentre as possíveis causas para a mortandade dos peixes, está o baixo nível de oxigenação da água e o aumento da salinidade da lagoa.

Os animais foram encontrados por moradores do entorno da lagoa, que logo após constatarem a morte dos peixes, acionaram os órgãos responsáveis pela investigação de casos como esse. Eles afirmaram que os peixes mortos começaram a aparecer na superfície da lagoa, logo nas primeiras horas da manhã de quarta.

O secretário de Meio Ambiente de São João da Barra, Sidney Salgado, informou que a aparição de peixes mortos na lagoa de Iquipari não é uma novidade. Sidney afirmou que o caso é recorrente. No entanto, não soube informar quais seriam as causas para a ocorrência dos episódios.  "Ainda não sabemos oficialmente o que tem causado a morte destes peixes. Mas, historicamente isso já aconteceu. Talvez seja a pouca água na lagoa, em virtude das poucas chuvas. Talvez seja a abertura da barragem que separa a lagoa de Iquipari do mar, que vez ou outra acontece, e resulta na elevação da salinidade das águas doces. Estas respostas virão a partir da avaliação de dados científicos que irão ser colhidos. Uma equipe de Defesa Civil está avaliando a lagoa", disse o secretário.

De acordo com o coordenador técnico do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) em Campos, Renê Justen, a princípio, a mortandade dos peixes teria sido resultado de um fenômeno natural causado por alterações climáticas, comuns nesta época do ano. Segundo o coordenador técnico, o caso está sendo monitorado pelo instituto.  

– Episódios similares já ocorreram em outros anos, quando dezenas de peixes também foram encontrados mortos na mesma lagoa. Devido a sua localização e a falta de contribuições externas, uma das possibilidades para a morte dos animais é a falta de oxigenação das águas, ou ainda o baixo nível no volume da lâmina d’água. Na tarde de hoje (quinta) enviamos equipes a Iquipari para a coleta de amostras capazes de nos apresentar a real situação em que a lagoa se encontra. O laudo com o diagnóstico deverá ficar pronto nos próximos dias – revelou René.

Para o biólogo e ambientalista, Aristídes Soffiatti, são muitas as possibilidades para a morte dos animais registradas em Iquipari. Soffiatti afirmou que para uma melhor verificação e proteção destas águas, é necessária uma pesquisa aprofundada, independente e comprometida com o verdadeiro diagnóstico quanto a saúde da lagoa. "A Iquipari é uma lagoa perpendicular a costa. Ela desemboca como se fosse um rio, ainda que com a barra fechada. Quando a barra é aberta, pode haver um choque de água salgada com água doce, e esta pode ter sido uma causa. Além desta hipótese, os ventos podem ter agitado as águas e levantado cedimentos que estavam no fundo, impactando na oxigenação da lagoa. Acredito que uma análise feita por pesquisadores da UENF, pode contribuir e muito para o disgnóstico do caso",  finalizou.

Mortandade de peixes foi por causas naturais, diz análise

O coordenador técnico da Superintendência Regional do Baixo Paraíba do Sul do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), René Justen, divulgou nesta sexta-feira (9) o resultado da análise realizado na Lagoa de Iquipari, em Grussaí, distrito de São João da Barra (SJB), onde centenas de peixes, na maioria das espécies tilápia e acará, foram encontrados mortos, na última quarta-feira (7). Segundo o especialista, grande parte da lagoa foi tomada pela floração de algas – um fenômeno natural, que ocorre em função das altas temperaturas. 

Justen informou que a partir da análise foi constatado que no fundo da lagoa os níveis de Oxigênio Dissolvido (OD) estava a praticamente 0 miligrama (0/mg), enquanto que na superfície havia alto nível de OD, variando de 29/mg a 16/mg, o que caracteriza a presença de alta concentração de algas.  “O oxigênio vem do ar, é dissolvido na água e o máximo que se pode diluir na água dentro das condições normais é de 9.2/mg. No entanto, foi observado o nível de 29/mg, porque com insolação as algas produzem oxigênio. Já no fundo da lagoa o resultado foi de praticamente 0/mg”, disse, acrescentando que com o calor se ocorre o processo de estratificação térmica – presença de camadas de temperaturas diferentes na massa de água. “Isso quer dizer que a temperatura em cima ficou quente e embaixo ficou frio. Subiu aquela massa de água fria e no fundo passou a se ter oxigênio baixo. Foi quando as algas subiram para a superfície da lagoa e os peixes começaram a morrer. Vale ressaltar que as alterações químicas, físicas, biológicas e climáticas influem sobre esse fenômeno”, concluiu destacando que o local é uma área de proteção ambiental e não há nenhuma ação antrópica (realizada pelo homem). 


O coordenador disse que o volume de alga é grande, compreendendo cerca de 10 quilômetros de extensão da lagoa. Portanto, a Lagoa de Iquipari apresenta coloração verde escura e, segundo Justen, para que ela volte a seu estado normal, a natureza se encarregará de colocar tudo no lugar. “É preciso ter maré favorável, para que possamos abrir a barra e permitir a troca de água. Vamos conversar com o Comitê de Bacias Hidrográficas e mostrar os resultados, a fim de evitarmos maior concentração de mortes de peixes”, finalizou.




Fmanhã / O Diário RJ

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