Por Arthur Soffiati
À medida que a planície dos Goytacazes se formava avançando sobre o mar, espécies vegetais nativas da zona serrana iam descendo e colonizando o novo terreno. Mas como? Planta não tem pé, portanto não anda. É comum falar em pé de manga, pé de casuarina e de tantas outras plantas. E elas andam? Suas sementes andam por elas, pois são dispersadas pelo vento, por insetos e aves e pelos humanos. Assim, elas se disseminam e colonizam.
Mangueira e casuarina são plantas vindas de outros continentes por mãos humanas. As que chegaram na planície antes dos humanos vieram da Mata Atlântica ou do mar. Mas não vieram todas as espécies. Elas foram selecionadas pela própria natureza. Na parte em que a planície mais se distancia do mar, espécies arbóreas conseguiram se desenvolver. Existiam árvores de até 25 metros de altura no fundo da planície. Num ponto intermediário, espécies arbustivas conseguiram se desenvolver. Mais perto do mar, os ventos e a salinidade impediram o desenvolvimento de plantas com grande e médio portes. Só as plantas rasteiras vingaram.
Quem ainda quiser conhecer esse tipo de vegetação deve visitar o trecho entre Farol de São Thomé e Xexé. Ali existe uma amostra da vegetação de restinga que deve ser preservada pelo poder público, seja criando uma Unidade de Conservação nova ou a incorporando ao Parque Estadual da Lagoa do Açu. São cactos, bromélias, pitangueiras rasteiras e tantas outras.
Mas, aproximando-se mais ainda do mar, o leitor encontrará plantas nativas de menor porte, como a salsinha-da-praia e a ipomeia, que retêm a areia e reduzem a erosão eólica. Em direção à Barra do Açu, a natureza permitiu o desenvolvimento de plantas que têm os pés na água ou quase. São as plantas de manguezal. Elas vieram navegando e se fixaram na lagoa do Açu (antigo rio Iguaçu) quando sua barra ficava permanente ou temporariamente aberta.
Encontram-se em grande extensão do antigo rio Iguaçu os mangues branco (Laguncularia racemosa), vermelho (Rhizophora mangle) e preto (Avicennia germinans). Há também um bosque de mangue-de-botão (Conocarpus erectus), que nem todo especialista considera uma genuína espécie de manguezal. Lembrar que a lagoa do Açu em toda a sua extensão está no município de Campos.
Caminhando em direção à Lagoa Salgada, existem formações vegetais muito semelhantes a campos salinos, com diversas espécies ainda a serem estudadas. Se o leitor desejar mais informações, o livro mais indicado é “Pelag: Parque Estadual da Lagoa do Açu”, de Maria das Graças Machado Freire, Arthur Soffiati e Heron Costa (Edição da primeira autora: Campos dos Goytacazes, 2022)


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