Por Arthur Soffiati
Embora o manguezal do Farol de São Thomé já tenha sido mencionado, entende-se que ele merece destaque especial por suas peculiaridades. Esse ecossistema que se desenvolveu entre a água doce e a água salgada, em foz de rios, em lagoas costeiras e em praias calmas, originouse no Sudeste da Ásia há 60 milhões de anos. Suas espécies exclusivas são plantas completas, ou seja, que têm raízes, caule, folhas, flores, frutos e sementes. Mas, crescendo em substrato muito compacto, algumas espécies desenvolveram, além das raízes que vão para baixo a fim de obter nutrientes, também raízes que saem do solo para obter oxigênio. São os pneumatóforos ou raízes respiradoras. As espécies que emitem essas raízes, entre nós, são o mangue branco (Laguncularia racemosa) e preto (Avicennia schaueriana e A. germinans). Essas raízes têm poros por onde as plantas respiram. São conhecidos como lenticelas. O mangue vermelho, aquele que parece uma aranha, tem as lenticelas nas pernas dessa aranha. As pessoas acham que essas pernas são raízes, mas, na verdade, são ramificações do caule que escoram a planta em terreno lamacento.
Para lidar com o excesso de sal, essas plantas ou o expelem pelas folhas ou barram sua entrada ou o diluem no seu corpo. As sementes dessas plantas são chamadas de propágulos.
Quando se desprendem da árvore, elas já caem no chão prontas para germinar. A semente do mangue vermelho parece uma caneta, pronta para cair espetada na lama. Na lagoa do Açu, as sementes de Laguncularia racemosa, Rhizophora mangle e Avicennia germinans vieram navegando no mar e entraram pela foz quando a lagoa era rio ou quando aconteciam aberturas de barra. As plantas de mangue colonizaram dez quilômetros da lagoa. É um manguezal expressivo no norte fluminense, ao lado dos manguezais dos rios Itabapoana, Guaxindiba, Paraíba do Sul e Barra do Furado. O que o diferencia dos outros é o bosque de mangue-de-botão (Conocarpus erectus), considerado por alguns especialistas uma espécie de mangue. Por outros não.
Além de formar local de reprodução de espécies aquáticas, de berçários e fonte de alimentos para animais da água e da terra, os manguezais reduzem a erosão da costa e diminuem a velocidade dos ventos. Além do mais, a ciência descobriu que o manguezal tem enorme capacidade de absorver gás carbônico, contribuindo, assim, para amenizar as mudanças climáticas.
No caso do manguezal do Açu, está ele todo protegido pelo Parque Estadual da Lagoa do Açu. Um canal ligando as lagoas do Açu e Salgada, permitiu que o mangue branco o colonizasse. Por ele, subiu também o mangue-de-botão. Um passeio de barco pela lagoa do Açu permite admirar a beleza desse manguezal.

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