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segunda-feira, 5 de março de 2018

Rio Iguaçu

Por Arthur Soffiati

Você seria capaz de sair do sul da lagoa Feia e dirigir-se à barra da lagoa do Açu?


Talvez você nem saiba onde ficam os dois locais por viver o tempo todo conectado no celular, ou por ser um criacionista laico, que entende não haver nada de importante fora da humanidade. Mas talvez você conheça os dois pontos e diga que, de automóvel ou de moto, é possível percorrer o trajeto.

Mas eu diria que de veículo motorizado ou de bicicleta não vale. Digamos que você costuma pescar em Barra do Furado e conheça um pouco de história da região. Talvez sua resposta seja inesperada: caminhando da lagoa Feia a Barra do Furado, seguindo de lá embarcado no mar até a barra da lagoa do Açu, a exemplo da primeira viagem dos Sete Capitães, em 1632. Bom, a viagem não deu certo e eles vieram de Macaé ao cabo de São Tomé a cavalo e a pé.

Então, você se dará por vencido e dirá que estou propondo algo impossível. Eu responderei que se pode ir de um ponto a outro navegando de barco em água doce. Hoje, de fato, não é mais possível, mas antes da abertura do canal da Flecha, na década de 1940, era possível sair da lagoa Feia no início do rio Iguaçu e chegar ao Açu navegando por ele, pois eles formavam um só rio.

Tomemos o rio Barro Vermelho como eixo principal. Ele começava na lagoa de Dentro, associada à lagoa Feia e de fundamental importância para o balanço hídrico de água doce e salgada segundo estudos da Engenharia Galiolli, encomendados pelo Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS) em 1969. O rio Barro Vermelho era alimentado pelos rios Velho, Novo do Colégio, da Onça e Caxexa, como mostra o mapa abaixo desenhado por Alberto Ribeiro Lamego. Havia vários outros, mas esses quatro eram os principais. O rio Barro Vermelho também tinha o nome de Viegas depois de Barra do Furado, ponto em que o capitão José de Barcelos Machado abriu uma vala para o mar a fim de escoar as águas acumuladas pelas chuvas de verão em 1688. 
A complexa rede de canais naturais ao sul da lagoa Feia 
antes do DNOS em mapa de Alberto Ribeiro Lamego

Tão logo elas fluíssem para o mar, as correntes e as ondas marinhas se incumbiam de fechá-la novamente. Assim, o rio Iguaçu continuava sua marcha lenta e suave até desembocar no mar pelo que hoje se conhece como barra do Açu. Na altura do Lagamar, as cheias podiam abrir a Barra Velha, hoje consolidada pela rodovia. Os rios Paraíba do Sul e Iguaçu corriam paralelos, sendo que, do primeiro, partiam sangradouros (defluentes) em direção ao segundo, acompanhando a ligeira declividade da planície do interior para a costa. O mais importante deles era o rio Água Preta que, na sua trajetória, formava inúmeras lagoas. Do rio Iguaçu ainda flui um sangradouro rumo às lagoa da Chica e do Carvão, na praia das Flecheiras.

O mapa abaixo, concebido em 1767 pelo Sargento-Mor Manuel Vieira Leão, ilustram os sistemas hídricos Paraíba do Sul (A) e Iguaçu (B) com suas conexões. 
Mapa de Manuel Vieira Leão, de 1767, 
representado a Capitania do Rio de Janeiro, 
aqui retratando apenas o futuro norte fluminense

Com as obras de domesticação e de organização das águas da baixada entre 1940 e 1990, o Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS) cortou o sistema Iguaçu para abreviar o escoamento das águas para o mar pelo canal da Flecha. Aproveitou os defluentes naturais do Paraíba do Sul, que corriam para o sul e para o leste de forma a abrir cinco canais primários (Quitingute, São Bento, Saquarema, Cambaíba e Coqueiros), além de muitos secundários e terciários. Eles passaram a fluir em direção oeste. Entre o canal da Flecha e sua foz, o rio Iguaçu foi todo fragmentado. Restou de forma mais ou menos íntegra seu trecho final, hoje conhecido como lagoa do Açu. 

O rio Água Preta, o mais expressivo afluente do Iguaçu, foi, em grande parte aproveitado para a abertura do canal do Quitingute. Esse canal não toca o Paraíba do Sul. Ele recebe água do canal de São Bento pelo canal de Vila Abreu e segue em direção do canal da Flecha, onde desembocava no chamado Buraco do Ministro. Depois, ele foi desviado para o canal de São Bento, ao norte. Depois, ganhou desaguadouro próprio junto ao canal da Flecha, formando uma ilha em forma de triângulo ocupada por pessoas de baixa renda.
Fotografia do DNOS mostrando o sul da lagoa Feia 
antes da abertura do canal da Flecha.
 O rio Iguaçu está assinalado em azul, 
mostrando-se de onde vem e para onde vai. 
A antiga Barra do Furado está indicada em vermelho.

Na margem direita do Canal da Flecha, não houve tanta interferência do DNOS quanto na margem esquerda. Ali, foi drenada a lagoa de Dentro. Restou um remanescente do rio Iguaçu, que ainda é alimentado pela lagoa Feia, embora não tão bem como no passado. Durante a estação das chuvas, ele ganha mais corpo e pode ser navegado de canoa ou de lancha a motor de um ponto raso até as comportas do Furadinho no canal da Flecha.  
O canal da Flecha (em azul) mostra como o rio Iguaçu 
e todos os canais do sul da lagoa Feia foram cortados

De longa data, eu conhecia o rio Iguaçu pela cartografia antiga e por relatos de cronistas da baixada. Somente em fevereiro de 2018, tive a oportunidade de navegá-lo na companhia de amigos e colegas do ponto em que não passam mais embarcações até as comportas do Furadinho junto ao canal da Flecha. Fiquei encantado com o estirão restante do rio. Em grande parte, ele conserva seus meandros, com suas margens adornadas pela vegetação herbácea e arbustiva que caracterizava a baixada, embora eu acredite que essa vegetação ali não seja mais nativa. Bois pastam nas margens. As águas parecem límpidas aos olhos. As margens estão praticamente livres de construções.
Ponto inicial para navegação no rio Iguaçu
Largura, meandro e margens do rio Iguaçu
Bois pastando na margem direita do rio

  Num determinado ponto, uma manilha coberta por uma passagem em forma de pequena ponte permite que as águas do rio defluam em direção a um terreno baixo e dali corram por um curso ao lado do qual ergue-se a capela de São Miguel, como a marcar um dos pontos ocupados pelos Sete Capitães, os sesmeiros que iniciaram a colonização contínua da planície no século XVII. Nesse ponto, cresceu um manguezal já examinado em artigo anterior.
Manilha para o defluxo das águas do Iguaçu 
em direção à Capela São Miguel

Daí em diante, o curso segue até as lagoas gêmeas de Chica e do Carvão, na praia de Flecheiras. Navegando mais, atinge-se a vila de Barra do Furado. A água do rio começa a ficar escura. Os canos de esgoto que saem das casas revelam que os dejetos são jogados in natura no rio. Passada a vila, a água volta a ficar clara aos poucos. O rio descrevia um meandro que foi bloqueado depois da abertura de um pequeno canal até as comportas do Furadinho. Elas estavam todas fechadas. O nível do rio mostrava-se mais alto que o nível do mar.
Casas da vila de Barra do Furado 
na Área de Preservação Permanente do Rio Iguaçu
Águas escuras do rio em Barra do Furado

O rio Iguaçu é uma preciosidade ambiental. Ele representa, parcialmente, o aspecto da baixada antes das obras do DNOS. Tanto a população rural quanto a urbana às margens do rio dependem dele. Daí o conflito horizontal entre Quissamã e os integrantes do Comitê da Bacia Hidrográfica do Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana. Este estirão remanescente do Iguaçu pode perfeitamente ser aproveitado por seu potencial turístico, mas sabemos muito bem que o turismo denominado ecológico, verde ou sustentável destrói os atrativos que atraem as pessoas. Como representante do quaternário costeiro, ele devia receber uma atenção especial pelo seu valor paisagístico e científico.
Estirão final do rio, recebendo o nome de lagoa do Açu
Fotos do autor

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