História

O Farol

A data de inauguração, 29 de julho 1882, às 15:30 horas, foi escolhida especialmente para coincidir com o aniversário de 36 anos da Princesa Isabel. O monumento com 45 metros de altura e 216 degraus, foi projetado pelo engenheiro francês Gustave Eiffel  o mesmo que idealizou a Torre Eiffel, em Paris.

Foi ele, o "Gigante Vermelho", que observou o surgimento de uma comunidade ao seu redor, e que serve como ponto de referência para os navegantes.

A guarnição do Farol de São Thomé é a responsável pelo serviço diário de acender e apagar  como também fazer observações meteorológicas e enviar ao Centro de Hidrografia da Marinha, em Niterói.

A importância do Farol se dá pela segurança que presta aos navegantes amadores e profissionais, por sinalizar a existência de elevações rochosas e extensas que ficam cobertas pela superfície d'água como corais e bancos de areia e que só podem ser observados bem de perto.

A localidade se formou em torno do Farol de São Thomé, instalado pela Marinha no local há cerca de 134 anos. O farol, que dá nome a localidade, é de origem francesa, funcionando no centro de um terreno em área militar.
Sua estrutura de 45 metros de altura em ferro fundido não leva solda e antigamente a iluminação era feita utilizando querosene como combustível. 

Quando passou a ser feita a sinalização com utilização da energia elétrica, seus reflexos atingiam Santo Amaro. A lanterna era cercada de vidraça de cristal e equipada com lente de cristal na espessura de 3 centímetros com lâmpada de 1000 watts e emitia 8 faixas de luz que giravam em forma de leque e alcançavam 25 milhas (mais ou menos 41 km).

Com sua inauguração foi possível ser feito o tráfego marítimo  com maior segurança.

No ano de 1967, houve um incêndio na lanterna, o farol foi então substituído por outro de categoria inferior e seu alcance ficou reduzido a 19 milhas (mais ou menos 31 km). Na época de sua inauguração, funcionava a querosene, atualmente funciona com energia comercial, mas possui 2 geradores e ainda funciona a querosene como originalmente, se preciso. Ele acende de acordo com horário do pôr do sol e faz a volta completa em 68 segundos.  

Sua importância cresceu com a intensificação do tráfego de embarcações de apoio as plataformas submarinas de petróleo na área do Cabo São Thomé.

Este famoso cabo, esquina onde todos os navios que se dirigem do norte ao Rio, Santos ou Buenos Aires passam, possui um longo banco de areia, chamado Banco de São Thomé, que se estende a umas 8 milhas da costa, e a linha de 20 metros de profundidade a umas 20 milhas. 

Por que o farol foi colocado para ajudar o tráfego marítimo na praia campista Farol de São Thomé. Você Sabe?

Por volta de 1850, empresários envolvidos com o comércio e o tráfego marítimo reivindicavam a instalação de mais dois faróis na costa da Província do Rio de Janeiro. Os locais escolhidos eram a Ilha de Santana, próximo a Macaé, e Farol de São Thomé. A esse último atribuiu-se a prioridade de implantação, devido aos baixios que de lá se estendem a até 10 milhas náuticas da costa.
O Capitão-Tenente Francisco José de Freitas, primeiro Diretor da "Directoria de Pharóes", descreveu os baixios de São Thomé como "um sorvedouro perene de tantas embarcações, não obstante a conhecida posição dos mesmos, assinalados nas mais antigas e modernas cartas da costa".

O terreno adquirido para receber o farol tinha a vantagem de permitir boa visibilidade para o mar e distar apenas 13km da localidade de Santo Amaro. Essa proximidade facilitaria as comunicações dos faroleiros com a capital.

 Em 1881, iniciou-se a montagem de uma torre Mitchell, com 45 metros de altura, a primeira do gênero no Brasil. A data de sua inauguração, 29 de julho de 1882, foi especialmente escolhida para coincidir com os festejos do 36° aniversário da Princesa Isabel.

A vida dos faroleiros e de suas famílias nunca foi das mais amenas. Eles moravam em dois pavimentos pequenos, construídos na própria torre do farol, a 12 metros do solo. Além do desconforto da altura e das escadas apertadas e íngremes, o areal que cercava a torre refletia a luz do sol e aumentava a sensação de calor.

Poucos dias antes do natal de 1889, o Diretor de Faróis, Capitão- Tenente Leopoldino José de Passos Jr., apresentou um relatório sobre sua viagem de inspeção a São Thomé , em que dizia estar impressionado com o dia-a-dia das famílias dos faroleiros e sugeria que fossem construídas casas separadas. Além do mais, a água usada na limpeza dos cômodos, quando jogada fora, escorria pela estrutura metálica da torre. A fumaça do fogão, além de sujar paredes e tetos, afetava o aparelho luminoso. Alguns anos depois, foram erguidas as casas "em terra firme", bem plantadas no solo.

Ludgero Rodrigues Arêas tornou-se um dos primeiros faroleiros de São Thorné, cargo que assumiu em 1899. O interesse pela profissão foi repassado a seus descendentes, ano após ano. O último faroleiro da família Arêas a trabalhar em Farol de São Thome recebeu o mesmo nome de seu avô, pioneiro na profissão. Assim, Ludgero Arêas Crespo, admitido em 1942 e aposentado em 1969, encerrou a presença de 70 anos dos Arêas naquele farol.

O gosto pelo mar disseminou-se por outros membros da família. Um deles, Ivan Pereira Arêas, bisneto de Ludgero Rodrigues, crescido entre faroleiros, e hoje Vice-Almirante, titular da Diretoria de Hidrografia e Navegação, órgão ao qual estão vinculados todos os faróis do Brasil.

A França sempre liderou o mercado internacional de construção dos aparelhos lenticulares. A fábrica Barbier & Fenéstre, inaugurada em 1862, em Paris, subsistiu, até cerca de 1970, como Barbier, Benard & Turenne. Em 1877, os franceses já haviam exportado mais de 2.500 aparelhos.

Com a criação da "Directoria de Pharóes", em 1876, por decreto imperial, o serviço de balizamento da costa e dos portos passou por uma grande reforma. A administração ficou centralizada, mas a execução dos trabalhos permaneceu sob a responsabilidade das Capitanias dos Portos.

Os faróis são reflexo do engenho de nossa civilização. Suas torres, de pedra, concreto ou metálicas, são testemunho da evolução da arquitetura e da engenharia civil. Os equipamentos luminosos clássicos são obras-primas da ótica e da mecânica.

Campos dos Goytacazes-RJ Latitude: 22º 02',5 S Longitude 041º 03',1 W – Alcance Luminoso: 40 millhas Naúticas – Inaugurado em 29 de julho de 1882

(Fonte: DANTAS, Ney – LUZES DO NOVO MUNDO – Histórias dos Faróis Brasileiros; 1ª Edição – Rio de Janeiro, RJ 2002; Editora Luminatti.)

CURIOSIDADE

22 02,52S / 41 03,17W  (Farol de São Thomé, distrito de Campos dos Goytacazes, RJ) - LpL (2) B.67,5seg.49m.40M

Racon O (---) bandas S e X / Radiofarol SK (... -.-) 300 Khz / Estação DGPS

Existem muitos faróis instalados em locais de solo arenoso, e por vezes com os alicerces abaixo da linha d'água. Para esses casos foi concebido um tipo de torre de ferro constituída por um tubulão central e hastes de sustentação rosqueadas.

Patenteado em 1832 pelo engenheiro irlandês Alexander Mitchell e utilizado pela primeira vez no farol Maplin Sands, no estuário do rio Tâmisa, na Inglaterra em 1838, esse tipo de torre ficou conhecido como "Mitchell", "Esqueleto", ou "Farol de Rosca". 

Uma curiosidade: Na ocasião, o engenheiro Mitchell já estava completamente cego, problema que foi evoluindo desde sua infância mas que não o impediu de seguir carreira.

Primeiro desse tipo no Brasil, o farol foi inaugurado em 29 de julho de 1882, atendendo à diversas solicitações que alertavam sobre os perigos de um grande banco de areia nas proximidades. Além dele, Salinópolis e Belmonte são os únicos desse tipo ainda em operação dos 18 que já tivemos.

Fabricada por Barbier e Fenéstre,  a torre de 45 metros e o aparelho ótico original de 1ª ordem tiveram a montagem iniciada pelo engenheiro inglês William Cunningham e terminada pelo mecânico francês Victor Alinquant. Na base do tubulão que abriga a escada de acesso ao topo, ficava a casa dos faroleiros, também em chapas de ferro.

A torre voltou á sua cor original, vermelha, depois de já ter sido pintada de roxo-terra e com listas brancas.

Fabricante:

Barbier & Fenèstre - Criada em 1862 por Nicolas Frédéric Désiré Barbier e Stanislas Fenèstre, a sociedade se transformou (em função dos casamentos dos filhos), em Barbier, Bénard e Turenne (BBT) no início do século XX. Muito rapidamente se tornou a líder do setor, fabricando lentes, torres metálicas, bóias, buzinas de cerração e equipamentos de iluminação pública. Em 1935 se funde com a Krauss (fabricantes de câmeras e lentes) e passa também a produzir binóculos, microscópios e luminárias de salas de cirurgia. A sociedade foi dissolvida em 1982 e nove anos mais tarde a empresa Gisman dá continuidade ao ramo de sinalização náutica.

(Faróis Brasileiros)

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