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Projeto da Uenf vai proteger animais do Parque Estadual da Lagoa do Açu

Cães e gatos acabaram se tornando predadores das espécies cujo habitat é a unidade de conservação que abrange os municípios de Campos e São João da Barra.
Parque Estadual da Lagoa do Açu abrange os municípios de Campos e São João da Barra
 Foto: Divulgação/Inea
Criado em 2012, o Parque Estadual da Lagoa do Açu (Pelag), que abrange os municípios de Campos dos Goytacazes e São João da Barra, vem sendo alvo da ação de animais como cães e gatos que acabaram se tornando predadores das espécies cujo habitat é a unidade de conservação, como tamanduá-mirim, ouriço-cacheiro, lontra, tartaruga, diversas aves e pequenos animais como roedores e lagartos.

Com o objetivo de enfrentar o problema, foi lançado nesta semana um projeto de extensão da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) chamado “Controle populacional de cães e gatos do Parque Estadual da Lagoa do Açu (Pelag)”, que tem a parceria do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

O lançamento foi realizado na última quarta-feira (22) na sede do parque, situada na praia do Farol de São Thomé.

Participaram do lançamento representantes das prefeituras de Campos e São João da Barra; Inea, Porto do Açu; a coordenadora do projeto, Helena Hokamura; e o chefe de gabinete da Reitoria da Uenf, Raul Palacio.

Segundo Helena, a primeira etapa do projeto será fazer um levantamento da população de cães e gatos existentes nas localidades em torno do parque, tanto os que possuem donos quanto os que se encontram abandonados.

A ideia é castrar todos eles, mas, para isso, será necessário instalar uma infraestrutura adequada para a realização das cirurgias.

A proposta é criar uma estrutura modulada em containers, com espaços adequados para avaliação pré-operatória, cirurgia e pós-operatório.

“Preferimos que seja uma estrutura temporária, pois desta forma poderemos desmontá-la e levá-la para outros locais quando for necessário”, explicou Helena, ressaltando a necessidade de que esteja tudo dentro das normas preconizadas pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária.

“Não podemos correr o risco de ter nenhuma perda de animal nesse processo”, disse.
Lançamento foi realizado na última quarta-feira (22) na sede do parque, situada na praia do Farol de São Thomé Foto: Divulgação/Uenf
Ainda de acordo com a coordenadora, o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Animais Silvestres (Nepas) do hospital da Uenf vem recebendo muitos animais feridos, vítimas de ataques de cães e gatos dentro do parque.

A maioria desses animais chega no hospital em estado muito debilitado, sendo difícil sua recuperação. Recentemente, um tamanduá-mirim — animal símbolo do Parque — veio a óbito.

Outro problema, além dos ataques, é a disseminação de doenças, uma vez que os animais abandonados, em sua maioria, encontram-se velhos ou doentes.

“Quando estão doentes, cães e gatos muitas vezes portam doenças infecciosas de alto risco para as espécies naturais do parque. A lontra, por exemplo, pode morrer por uma simples contaminação de cinomose ou parvovirose, doenças que, para cães e gatos, há vacinas. É um animal muito delicado e está em extinção. Se houver contaminação, isso pode acabar com toda a população de lontras do Parque”, explicou.

Helena lembrou que outra doença perigosa para os animais do parque é a esporotricose, que até pouco tempo só era vista em gatos, mas ultimamente também vem atingindo cães.

“Todos os dias temos pelo menos um caso de esporotricose no hospital da Uenf e, junto com cada caso, tem um proprietário contaminado. Estamos diante de um problema violentíssimo de saúde pública”, afirmou.

O projeto começou a ser pensado a partir de uma Feira de Ciências no Farol, realizada em janeiro, quando a população manifestou a demanda.

Depois disso, a equipe da Uenf realizou visitas ao Farol e constatou o grande número de animais sem dono que andam pelas ruas.

Segundo Heron Costa, gestor do Pelag, o projeto idealizado pela universidade veio ao encontro dos objetivos do Inea.

Ele disse que o problema não está apenas nos cães e gatos errantes, mas também em animais de grande porte como cavalos, bois e cabras.

“É o que chamo de fazendeiros sem terra, ou seja, pessoas que criam animais mas não têm onde deixar, então os animais são criados soltos nas ruas e também acabam adentrando o parque”, disse.

Com uma área de 8.251,45 hectares, o Parque Estadual da Lagoa do Açu tem em seu interior, além da Lagoa do Açu — com 13 quilômetros de extensão — a Lagoa Salgada, a Restinga, o Banhado Boa Vista e a orla marítima.

A praia do Açu abrigou nos últimos dez anos, segundo Heron, aproximadamente 12 mil ninhos de tartarugas, totalizando cerca de 90 mil filhotes. Com o aumento dos animais errantes, estes ninhos também vêm sendo ameaçados.



G1 Norte Fluminense.

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