terça-feira, 19 de julho de 2016

Naufrágio no mar do Farol terá sua história contada em documentário


O documentário Resgate Vital é repleto de histórias, depoimentos e imagens jamais vistas e que foram encontrados à 55 metros de profundidade e 72 anos passados.


Cem mortos, incluindo uma criança de oito anos, em um naufrágio na costa brasileira, na área da praia de Farol de São Thomé, em Campos, no final da Segunda Guerra Mundial. O navio Vital de Oliveira, recém-saído de Vitória/ES, com cargas e marinheiros, foi bombardeado no dia 19 de julho de 1944, perto da 0h. Setenta e dois anos depois, dois irmãos pescadores, José Luiz e Everaldo Meriguete, localizam vestígios de uma embarcação, cuja carcaça não trazia nenhuma descrição. Os homens, então, entram em contato com o mergulhador Afonso Jório, de Guarapari/ES, que procurou o também mergulhador Ricardo Sanfim, de Campos. Após pesquisas, o grupo descobre que o navio, localizado a 55 metros de profundidade, era o histórico Vital de Oliveira, que, ainda neste ano, ganhará uma homenagem em forma de documentário.

“Resgate Vital”, que começou a ser produzido em 2013, abordará diversos aspectos históricos, desde a Primeira Guerra Mundial, para ambientar o espectador sobre o contexto que levou o mundo à Segunda Guerra.

— Eles me ligaram. Eu havia feito uma novela e contratei Afonso Jório para uma cena submarina. Nós nos encontramos na Bahia para pesquisar dados e confirmamos que era o Vital, uma embarcação a vapor que aportou no Brasil em 1910, com o nome de Itaúba. A partir daí, começamos a levantar dados, documentos e matérias jornalísticas da época. No Vital, aconteceram vários coisas, como assassinatos e encalhes — explicou o produtor de “Resgate Vital”, Rodolfo Silot.

Para encontrar a localização exata do NAux Vital de Oliveira, que tem 82 metros de comprimento e permanece “em pé” no fundo do Oceano Atlântico, foram feitos dois ou três mergulhos, conforme informações de Silot. A embarcação foi encontrada entre Campos e Quissamã. “À noite, é possível ver o Farol de São Thomé”, destacou.

O produtor e a equipe, composta pelos irmãos José Luiz e Everaldo, Afonso e Ricardo, ao confirmarem a origem do navio, começaram a busca por dados históricos em diferentes cidades e países. Agora, o grupo fará uma viagem ao continente europeu para novas pesquisas.

— Conseguimos contato na Europa para filmar em submarinos. Encontramos o U-Boat 861, que bombardeou o Vital de Oliveira — comentou Silot. No continente, o diretor de “Resgate Vital” visa conseguir informações sobre a construção do submarino alemão responsável pelo ataque ao navio e visitar instituições que possam ceder dados e imagens.

O documentário contará a história do Brasil e de países que tiveram relação com o afundamento. Rodolfo Silot acredita que certos  aspectos históricos, como o afundamento do Vital de Oliveira, ainda não tenham chegado ao conhecimento dos brasileiros.

Casos de náufragos, como de Hilton Moreno, grumete da Marinha, também fazem parte do roteiro. 

Documentário em fase de produção

O mergulhador Afonso Jório, do Espírito Santo, após verificar fotos e materiais recolhidos pelos irmãos José Luiz e Everaldo Meriguete, entrou em contato com o também mergulhador campista Ricardo Sanfim, que passou a compor a equipe que, futuramente, produziria o documentário “Resgate Vital”.

— Sempre se soube, por relatos de sobreviventes, de pessoas que ajudaram no resgate e por documentos dos próprios alemães, que esse navio estava afundado na região Norte Fluminense, mas o local exato não era conhecido até então. Os irmãos, acostumados com os naufrágios da região de Farol de São Thomé, encontraram, durante suas expedições, o navio — explicou Sanfim.

O mergulhador contou que, após comparar as imagens com a planta do Vital de Oliveira (encontrada na Universidade de Glasgow, na Escócia, onde foi construído o antigo Itaúba), a única fotografia da embarcação e relatos da época, o grupo de pesquisa teve a certeza de que se tratava do navio bombardeado pelo U-Boat 861.

— Imediatamente, comunicamos esse fato para a Marinha do Brasil. Conseguimos localizar sobreviventes desse naufrágio que, mesmo com quase 90 anos, se dispuseram a nos fornecer entrevistas e documentos da época. A intenção é resgatar a memória da Marinha e dos marinheiros que atuaram na Segunda Grande Guerra. É importante notar que o reconhecimento da nação, até hoje, é muito maior para os militares do Exército e da Aeronáutica. A Marinha, a nosso ver, nunca teve o devido reconhecimento pelos serviços prestados durante o conflito — opinou.

O documentário “Resgate Vital” será dividido em quatro episódios. Cada um terá 26 minutos cada. “Talvez o quarto episódio ultrapasse o tempo e chegue a 44 minutos”, salientou o produtor, Rodolfo Silot. Para contar a história do Vital de Oliveira, o grupo partiu da chegada do navio ao Brasil, em 1910, vindo de Troon, na Escócia, e passou por todos os envolvidos diretos ou indiretos no naufrágio.

O primeiro episódio começará com o aporte do Itaúba em terras brasileiras. Será abordado, também, o contexto histórico mundial e os motivos da Primeira Guerra Mundial. No segundo momento, serão mostradas, no filme, as consequências do confronto, a trajetória do navio e a ascensão de Hitler e Mussolini.

Momentos históricos pelos quais passavam o Brasil e o mundo, a Segunda Guerra Mundial e suas consequências, principalmente para a Alemanha, e o naufrágio do Vital de Oliveira serão assuntos do terceiro episódio. A última parte será dedicada à expedição ao navio e aos U-Boats, com informações da marinha nazista.

O projeto já está aprovado na Agência Nacional do Cinema - ANCINE, para captação de recursos no Artigo 1ºA da lei do audiovisual. 





Folha da Manhã

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