terça-feira, 19 de novembro de 2013

Pescadores protestam mortandade de peixes no Canal Quitingute

Fotos: Saulo Garcez e Filipe Lemos
Pescadores do município de São João da Barra, no Norte Fluminense, estão temerosos e esperando uma resposta do que possa ter acontecido com os peixes do canal Quitingute, na localidade rural de Água Preta.


Os pescados apareceram mortos de repente na manhã da última sexta-feira (15/11), preocupando toda população local que vive exclusivamente da pesca. O canal atravessa todo o 5º distrito e é responsável pelo abastecimento de outros canais e das lagoas da região.

Na tarde desta segunda-feira (18/11) o professor doutor e pesquisador do laboratório de Ciências Ambientais e Químicas da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Darcy Ribeiro, Marcos Pedlowski esteve no local a fim de recoletar algumas amostras e ampliar a malha de análise para saber, de fato, o que ocasionou a falta de oxigenação na água, e consequentemente, a morte dos peixes. 

No último domingo (17/11), o docente esteve no canal realizando os mesmos trabalhos. Segundo ele, que tem como áreas de interesse na interface sociedade-natureza, algumas causas possam ter afetado a qualidade da água. 

“Ainda não temos nada de concreto. Mas, levantamos algumas possibilidades que possam ter ocorrido como agrotóxico, o que pode ter ocasionado um choque na água, levando assim, a falta de oxigênio. Também estamos coletando amostras de fitoplâncton para medir o índice de cianobactérias na água, que além de consumir oxigênio dissolvido, eliminam fitotóxicos que compromete a biodiversidade e prejudica, até mesmo, o consumo humano”, explicou.

Marcos disse que durante a análise feita no último domingo, algumas causas foram descartadas. “Essa é uma área bastante estressada, devido as inúmeras dragagens realizadas aqui e o choque gerado pela salinidade. Nós concluímos que, inicialmente, não se trata de salinização, que no momento está estabilizado, e sim, oxigênio dissolvido”, frisou o professor informando que a análise completa deverá ficar pronta daqui a uma semana.

Blog Marcos Pedlowski

Segundo o superintendente do Inea, René Justen, o problema foi ocasionado por uma barragem feita pelo órgão no Canal Quitingute, há cerca de uma semana. Ele garantiu que o serviço foi desfeito para que a água receba oxigênio novamente e os peixes voltem a respirar. "Há alguns meses fizemos um reparo na comporta do canal São Bento, no Rio Paraíba do Sul, a fim de promover melhoria na adução de água para este canal e também para o Quitingute. Com isso, houve inundação em algumas terras da localidade de Água Preta. Tivemos que fazer um barramento com sacos de areia no Quitingute. Devido à redução do volume de água, o lodo se decompôs, liberando matéria orgânica e eliminando o oxigênio da água. Por isso os peixes morreram. Já retiramos a barragem e a situação vai se normalizar", justificou René.

PESCADORES CULPAM PORTO DO AÇU POR DRAMA

A construção e instalação do Superporto do Açu, no município sanjoanense, vem gerando inúmeros problemas para a população. No ano passado, pesquisas realizadas pela própria Uenf, já mostrou que lagoas e canais da região foram afetados pelo alto nível de salinidade na água, que estaria sendo ocasionado devido à abertura de um canal para a construção do complexo portuário.

Embora a análise feita pelo professor Marcos Pedlowski tenha eliminando o fator salinidade para mortandade de peixes no Quitingute, pescadores acreditam que a culpa é do mega empreendimento.


 Foto: Mauro de Souza
“Essa é a primeira vez que esse tipo de coisa acontece por aqui. Sou nascido e criado aqui. Todo sustento da minha família eu tiro desse canal e nós nunca tivemos problemas com a água do Quitingute. Mas, acontece que desde que esse porto veio para cá, os problemas começaram a acontecer. Primeiro foi o sal e agora o que é? Nós queremos uma resposta porque estamos no período de defeso e quando acabar não teremos peixe, porque estão todos morrendo”, lamentou o pescador José Roberto de Almeida, 51 anos.


Em nota, a LLX disse que realiza monitoramento constante do Canal do Quitingute, que comprova que ele não apresenta nenhuma alteração, mantendo sua classificação como água doce e que a empresa desconhece qualquer ocorrência referente à mortandade de peixes no local, assim como ligação deste fato com ações desenvolvidas pela companhia na região.

Segundo agricultores que vivem às margens do Quitingute há mais de 20 anos, este episódio é singular, não apenas pela morte em si dos peixes, mas pela quantidade de espécies mortas. 

 MANIFESTANTES COBRAM LIMPEZA DE CANAIS AO INEA

Revoltados com a situação, pescadores da região realizaram uma manifestação a fim de chamar a atenção das autoridades para o problema. Os manifestantes usaram dois carros para fechar a principal estrada da localidade, que ficou e interditada por algumas horas. 

“Estive por várias vezes no Inea (Instituto Estadual de Ambiente) e eles sempre dizem que o canal não é de responsabilidade deles. Se eles não são os responsáveis quem são então? O que nós queremos é que o órgão faça a desobstrução dos canais, porque se chover vai inundar tudo aqui, pois o canal em Quixaba está todo assoreado”, reclamou o representante dos pescadores da região, Delcimar Rodrigues Rangel, 48 anos.

Amostras da água do canal foram colhidas e encaminhadas ao Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), onde deverão ser medidos os principais parâmetros fisio-químicos, para obter um diagnóstico do que teria causado este evento.

A Polícia Militar esteve no local para controlar a situação. 










Ururau / O Diário RJ

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